Ozônio no amadurecimento da banana: evidências e aplicação
Ozônio no amadurecimento da banana: evidências e aplicação

Ozônio no amadurecimento da banana é um tema que vem ganhando crescente relevância científica e técnica diante dos desafios da pós-colheita de frutos climatéricos altamente perecíveis. A banana (Musa spp.), uma das frutas mais consumidas no mundo, apresenta metabolismo acelerado após a colheita, o que impõe limitações logísticas, comerciais e sanitárias ao longo da cadeia de abastecimento. Nesse contexto, o uso controlado do ozônio surge como uma alternativa tecnológica capaz de desacelerar o processo de amadurecimento, reduzir a produção de etileno e preservar a qualidade dos frutos, desde que aplicado com critérios técnicos rigorosos e validação científica.
Este artigo apresenta uma análise técnica e aplicada sobre o uso do ozônio no amadurecimento da banana, fundamentada em estudo científico conduzido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), instituição de referência internacional em ciência e tecnologia de alimentos. Todas as informações aqui discutidas reconhecem e creditam integralmente os pesquisadores e a universidade responsáveis pelo estudo.
Por que o amadurecimento da banana é um desafio técnico
A banana é classificada como um fruto climatérico, caracterizado por um aumento abrupto da taxa respiratória e pela intensificação da produção de etileno durante o amadurecimento. Esse hormônio vegetal atua como principal regulador das transformações fisiológicas e bioquímicas do fruto, influenciando diretamente textura, sabor, aroma e aparência.
Durante esse processo, ocorrem:
- aumento do teor de sólidos solúveis,
- elevação da acidez titulável,
- mudança progressiva da coloração da casca,
- amolecimento da polpa,
- maior suscetibilidade a danos mecânicos e microbiológicos.
Essas alterações tornam a banana altamente perecível, dificultando o transporte a longas distâncias e aumentando perdas econômicas significativas na pós-colheita. Por esse motivo, o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias capazes de controlar o metabolismo do fruto são estratégicos para o setor agrícola e alimentício.
O papel do etileno no amadurecimento da banana
O etileno é produzido naturalmente pelos frutos climatéricos e atua como um gatilho bioquímico para o amadurecimento. Pequenas variações em sua concentração podem acelerar ou retardar significativamente o metabolismo do fruto.
Diante disso, técnicas que promovam:
- a redução da produção de etileno,
- ou sua degradação no ambiente de armazenamento,
são amplamente estudadas como estratégias para prolongar a vida pós-colheita. O ozônio, devido ao seu alto potencial oxidante, apresenta capacidade de reagir com o etileno, reduzindo sua concentração e, consequentemente, desacelerando o amadurecimento.
O que diz a ciência sobre o uso do ozônio em bananas
O estudo conduzido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Este artigo baseia-se no estudo “Ação do ozônio no processo de amadurecimento de bananas”, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), com apoio do CNPq e da FAPEMIG.
Autores do estudo:
- Vieira, L. S.
- Queiroz, M. E. L. R.
- Neves, A. A.
- Oliveira, A. F.
- Salomão, L. C. C.
- Alves, R. R.
- Heleno, F. F.
O objetivo do trabalho foi avaliar, de forma controlada, o efeito da concentração de ozônio e do tempo de exposição no processo fisiológico de amadurecimento de bananas da cultivar Prata Anã, considerando parâmetros metabólicos e de qualidade.
Metodologia científica aplicada no estudo
Os pesquisadores avaliaram bananas submetidas a diferentes concentrações de ozônio (0,000; 0,200; 0,500; 1,000 e 2,000 mg L⁻¹) e diferentes tempos de ozonização (0, 2, 4 e 6 dias).
Os parâmetros analisados incluíram:
- produção de etileno,
- perda de massa fresca,
- teor de sólidos solúveis,
- acidez titulável.
A produção de etileno foi mensurada por cromatografia a gás, enquanto os demais parâmetros seguiram metodologias analíticas consolidadas, garantindo confiabilidade estatística e rigor experimental aos resultados.
Principais resultados observados no estudo
Concentração de ozônio: o fator crítico
Um dos achados mais relevantes do estudo foi a demonstração de que a concentração de ozônio é determinante para o sucesso da aplicação.
A concentração de 0,200 mg L⁻¹ apresentou efeitos positivos claros:
- redução da produção de etileno,
- desaceleração do metabolismo das bananas,
- preservação da qualidade dos frutos durante o armazenamento.
Em contrapartida, concentrações mais elevadas (0,500; 1,000 e 2,000 mg L⁻¹) provocaram aumento da produção de etileno, indicando que o excesso de ozônio pode gerar estresse oxidativo, levando o fruto a responder fisiologicamente como se estivesse sob dano.
Esse resultado reforça um princípio técnico fundamental: ozônio não deve ser aplicado de forma empírica ou indiscriminada.
Tempo de exposição: benefícios e efeitos colaterais
Quanto ao tempo de exposição, o estudo demonstrou que a ozonização contínua por 4 e 6 dias, na concentração de 0,200 mg L⁻¹, foi capaz de retardar o pico climatérico de produção de etileno em até 8 dias quando comparada a frutos não ozonizados.
No entanto, tempos prolongados de exposição também resultaram em:
- maior perda de massa fresca,
- surgimento de manchas escuras na casca,
- sintomas progressivos de fitotoxicidade.
Ou seja, embora o amadurecimento tenha sido retardado, a aparência comercial dos frutos foi comprometida, evidenciando que o equilíbrio entre benefício e risco é essencial.
O que o estudo ensina para aplicações comerciais e industriais
Os resultados obtidos pela UFV demonstram que o ozônio pode ser uma ferramenta eficaz no controle do amadurecimento da banana, desde que aplicado dentro de limites técnicos bem definidos.
As principais lições práticas incluem:
- não existe dose universal de ozônio,
- concentração e tempo devem ser ajustados ao produto e ao ambiente,
- o monitoramento contínuo é indispensável,
- aplicações sem validação podem gerar perdas de qualidade.
Esses pontos reforçam que o ozônio deve ser tratado como tecnologia de processo, e não como solução isolada ou padronizada.
Limites do estudo e responsabilidade técnica na aplicação
É fundamental destacar que o estudo foi conduzido em condições controladas, com variáveis bem definidas. A extrapolação direta para ambientes comerciais exige cautela, testes-piloto e ajustes específicos.
Fatores como:
- cultivar,
- temperatura,
- umidade relativa,
- ventilação,
- escala operacional,
podem influenciar significativamente os resultados. Reconhecer esses limites fortalece a aplicação responsável da tecnologia e evita interpretações equivocadas.
Da ciência à prática: o papel da myOZONE
A myOZONE atua como especialista na tradução do conhecimento científico em soluções técnicas seguras e validadas. Estudos acadêmicos, como o conduzido pela UFV, são fundamentais para embasar projetos, definir limites operacionais e orientar decisões responsáveis na aplicação do ozônio.
Na prática, isso envolve:
- definição criteriosa de parâmetros operacionais,
- projetos customizados por aplicação,
- monitoramento contínuo de concentração e segurança,
- conformidade técnica e regulatória.
O uso do ozônio, quando bem projetado, pode contribuir para a redução de perdas pós-colheita, aumento da vida útil dos frutos e maior eficiência logística.
Créditos científicos e institucionais
Este artigo foi desenvolvido com base no estudo científico:
VIEIRA, L. S.; QUEIROZ, M. E. L. R.; NEVES, A. A.; OLIVEIRA, A. F.; SALOMÃO, L. C. C.; ALVES, R. R.; HELENO, F. F.
Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Ação do ozônio no processo de amadurecimento de bananas
Apoio institucional: CNPq e FAPEMIG
Acesse o estudo completo clicando aqui.
A myOZONE reconhece e valoriza a contribuição da Universidade Federal de Viçosa e de seus pesquisadores para o avanço do conhecimento científico sobre o uso do ozônio na pós-colheita de alimentos.
Consideração final
O ozônio no amadurecimento da banana apresenta potencial técnico comprovado pela ciência, mas sua aplicação exige precisão, controle e responsabilidade. A tecnologia funciona quando respeita limites, considera o contexto operacional e se apoia em evidências científicas sólidas. É nesse equilíbrio entre ciência e aplicação que se constrói uma solução segura, eficiente e sustentável para a cadeia de alimentos.




