Ozônio no arroz: controle de fungos e efeitos na qualidade

Ozônio no arroz: controle de fungos e efeitos na qualidade

06/12/2019
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O ozônio no arroz é investigado como alternativa para o controle de fungos durante o pós-colheita. A avaliação dessa tecnologia precisa considerar dois resultados em conjunto: a redução da contaminação e a preservação das características necessárias ao aproveitamento do grão.

Para armazenadores, beneficiadores e profissionais de qualidade, a pergunta central é: em quais condições o tratamento pode atingir o objetivo microbiológico sem comprometer o destino do produto?

Responder exige interpretar as evidências científicas, conhecer as condições do lote e verificar o comportamento do processo antes de sua aplicação industrial.

Por que o controle de fungos importa no armazenamento do arroz?

A conservação do arroz depende da interação entre umidade, temperatura, presença de organismos e características do produto.

Condições inadequadas podem favorecer deterioração, alterações de odor e coloração, perda de qualidade fisiológica e desenvolvimento de fungos. A produção de micotoxinas por determinados fungos também constitui um risco que precisa ser considerado. A Embrapa destaca esses fatores ao explicar a armazenagem de arroz. Referência: Embrapa — Arroz, 500 perguntas e respostas, capítulo Armazenagem.

Por isso, uma tecnologia de tratamento deve integrar o manejo do armazenamento. Controle de umidade e temperatura, limpeza das instalações e acompanhamento dos lotes continuam necessários.

Como o ozônio atua sobre os fungos?

O ozônio é um agente oxidante. Sua ação pode danificar estruturas celulares e componentes essenciais ao funcionamento dos microrganismos.

O resultado depende da suscetibilidade do alvo e das condições de exposição, incluindo concentração e tempo de contato. Referência: EPA — mecanismos de desinfecção por ozônio.

Em uma massa de grãos, o projeto também precisa investigar se o gás alcança as regiões que devem ser tratadas. Produzir ozônio na entrada do sistema não comprova exposição uniforme em todo o produto.

A base desse mecanismo está detalhada no artigo Como o ozônio funciona: oxidação e aplicações industriais.

O que demonstrou o estudo da UFV sobre ozônio no arroz?

A dissertação de Raquel Rodrigues Santos, defendida na Universidade Federal de Viçosa em 2014, investigou ação fungicida, saturação do gás e qualidade dos grãos.

Ozônio no arroz: condições e resultados do estudo da UFV
Aspecto Condição ou resultado do estudo
Amostra 500 g de arroz, previamente inoculado com
Aspergillus spp. e Penicillium spp.
Teor de água inicial 14,3% em base úmida.
Concentração de entrada 10,13 mg/L de ozônio na corrente gasosa.
Vazão 1,0 L/min.
Exposições avaliadas 12, 24, 36, 48 e 60 horas.
Controle Tratamento com ar atmosférico.
Saturação Aproximadamente 5,01 mg/L, em 13,97 minutos.
Resultado microbiológico em 60 horas Redução de aproximadamente 3,81 ciclos log na contagem
de fungos filamentosos e leveduras, em relação ao controle.
Qualidade Redução de umidade e germinação; aumento da
condutividade elétrica.

Fonte: Santos, Raquel Rodrigues. Dissertação de mestrado, UFV, 2014. Os valores descrevem condições experimentais e não constituem uma recomendação operacional para instalações industriais. Os valores descrevem um experimento e não constituem uma recomendação operacional. A distinção entre os minutos necessários à saturação e as horas de exposição é essencial: são medidas de fenômenos diferentes. Fonte: dissertação de Santos, UFV, 2014.

Como interpretar a redução microbiológica?

Uma redução logarítmica expressa a diferença entre contagens em escala de base dez. Como referência matemática:

  • 1 ciclo log: redução de 90%.
  • 2 ciclos log: redução de 99%.
  • 3 ciclos log: redução de 99,9%.

Esses percentuais precisam ser acompanhados pela identificação do microrganismo, método analítico, referência de comparação e limite de detecção.

A ausência de crescimento em uma análise significa que não houve detecção nas condições do ensaio. Não demonstra, isoladamente, esterilidade do lote, ausência de todos os perigos ou proteção contra uma contaminação posterior.

Para a operação, o relatório deve responder tanto “quanto a contagem caiu?” quanto “o resultado atende ao critério definido para esse produto?”.

Saturação do gás e eficácia fungicida são a mesma coisa?

Não. A saturação caracteriza o comportamento do gás no sistema; a eficácia microbiológica depende da exposição e do resultado medido no alvo.

Uma pesquisa de Mendez e colaboradores identificou duas fases de passagem do ozônio por uma coluna de trigo: inicialmente, ocorreu degradação acentuada do gás; posteriormente, sua passagem apresentou menor degradação. A velocidade do fluxo também influenciou a penetração. Esse ensaio foi realizado com trigo, portanto não fornece parâmetros prontos para arroz. Referência: Mendez et al., 2003 — resumo do estudo no FAO AGRIS.

A implicação para o projeto é investigar o percurso do gás e definir pontos de medição. Uma leitura na saída pode ser útil, mas não substitui a avaliação da distribuição na massa de grãos.

O que significa preservar a qualidade do arroz?

O conceito de qualidade depende do destino do produto.

Para sementes, germinação e vigor são atributos fundamentais. Para arroz destinado ao consumo ou ao beneficiamento, também importam características alimentícias, sensoriais e de processamento. Essa diferença de objetivos é destacada pela Embrapa nas recomendações de conservação. Referência: Embrapa — objetivos do armazenamento de arroz.

Na elaboração de um protocolo, convém separar os critérios de avaliação:

Arroz destinado à semeadura: investigar germinação, vigor e manutenção da qualidade fisiológica.

Arroz destinado ao beneficiamento: avaliar atributos pertinentes ao rendimento, à integridade dos grãos e às exigências do processo.

Arroz destinado ao consumo: incluir aparência, odor, comportamento de cocção e outros parâmetros relevantes à especificação comercial.

Esses itens são propostas para o plano de avaliação. A seleção final depende do produto e do objetivo do tratamento.

É possível transferir um ensaio de laboratório diretamente para um silo?

A mudança de escala exige uma nova avaliação de engenharia.

Um projeto industrial precisa responder como o gás circulará, quais regiões podem receber exposição insuficiente e como acompanhar o tratamento em um volume maior.

Entre as informações a levantar estão:

  • Dimensões e configuração da estrutura.
  • Altura e distribuição da massa de grãos.
  • Condições do lote, incluindo umidade e impurezas.
  • Pontos de entrada, saída e eventual recirculação.
  • Locais de medição e amostragem.
  • Tempo disponível para o tratamento.
  • Condições de acesso e liberação da instalação.

O dimensionamento deve relacionar essas informações ao resultado pretendido. Multiplicar a capacidade do gerador pela massa de produto, sem investigar distribuição e desempenho, deixa perguntas essenciais sem resposta.

Reduzir fungos significa eliminar micotoxinas?

Não se pode concluir isso apenas com uma contagem microbiológica.

Fungos e micotoxinas representam alvos analíticos distintos. Para demonstrar redução de uma toxina, o plano precisa identificá-la e medir sua concentração antes e depois do tratamento.

Além disso, a transformação química de um contaminante exige avaliar os produtos resultantes. A oxidação pode modificar uma molécula sem demonstrar sua completa eliminação ou a segurança de todos os compostos formados. Referência: EPA — reações de oxidação e produtos de transformação.

Assim, alegações de descontaminação devem corresponder exatamente às evidências produzidas.

Como organizar a avaliação industrial do ozônio no arroz?

Um roteiro de desenvolvimento pode reunir cinco etapas:

  1. Caracterizar o lote e sua finalidade. Registrar origem, condições de armazenamento e especificações necessárias.
  2. Definir o alvo e o critério de sucesso. Estabelecer o resultado microbiológico e os atributos de qualidade que precisam ser preservados.
  3. Planejar ensaios comparativos. Incluir controle, amostragem representativa e documentação das condições.
  4. Avaliar a distribuição e a repetibilidade. Verificar o comportamento em diferentes posições e condições operacionais.
  5. Documentar os critérios de operação. Definir medições, responsabilidades, resposta a desvios e acompanhamento após o tratamento.

Antes da implementação, o projeto também deve identificar os requisitos regulatórios aplicáveis. Resultados experimentais, isoladamente, não constituem autorização de uso.

A exposição ocupacional precisa integrar o planejamento: o ozônio pode causar irritação ocular e respiratória, exigindo controles adequados à instalação. Referência: NIOSH — Ozone.

Saiba mais sobre validação e segurança no uso do ozônio.

Perguntas frequentes sobre ozônio no arroz

Existe uma dosagem universal para tratar arroz?

Não. A definição depende do alvo, das características do produto, da distribuição do gás e dos resultados de validação.

O ozônio substitui a secagem e o manejo do armazenamento?

O tratamento não dispensa o controle das condições de conservação. A avaliação deve integrar essas etapas.

Uma redução microbiológica comprova que o lote está adequado ao consumo?

Isoladamente, não. É necessário verificar os demais critérios de qualidade e segurança pertinentes ao produto.

Como começar a avaliar a aplicação?

O primeiro passo é definir o problema e reunir dados do lote e da instalação. Essas informações orientam os ensaios e a análise de viabilidade.

Para avaliar o uso de ozônio no arroz, converse com a equipe técnica da myOZONE sobre diagnóstico, testes e validação da aplicação.

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