Ozônio no amadurecimento da banana: evidências e aplicação

Ozônio no amadurecimento da banana: evidências e aplicação

22/12/2025
Ozônio no amadurecimento de bananas - Um estudo da UFV

Ozônio no amadurecimento da banana é um tema que vem ganhando crescente relevância científica e técnica diante dos desafios da pós-colheita de frutos climatéricos altamente perecíveis. A banana (Musa spp.), uma das frutas mais consumidas no mundo, apresenta metabolismo acelerado após a colheita, o que impõe limitações logísticas, comerciais e sanitárias ao longo da cadeia de abastecimento. Nesse contexto, o uso controlado do ozônio surge como uma alternativa tecnológica capaz de desacelerar o processo de amadurecimento, reduzir a produção de etileno e preservar a qualidade dos frutos, desde que aplicado com critérios técnicos rigorosos e validação científica.

Este artigo apresenta uma análise técnica e aplicada sobre o uso do ozônio no amadurecimento da banana, fundamentada em estudo científico conduzido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), instituição de referência internacional em ciência e tecnologia de alimentos. Todas as informações aqui discutidas reconhecem e creditam integralmente os pesquisadores e a universidade responsáveis pelo estudo.

Por que o amadurecimento da banana é um desafio técnico

A banana é classificada como um fruto climatérico, caracterizado por um aumento abrupto da taxa respiratória e pela intensificação da produção de etileno durante o amadurecimento. Esse hormônio vegetal atua como principal regulador das transformações fisiológicas e bioquímicas do fruto, influenciando diretamente textura, sabor, aroma e aparência.

Durante esse processo, ocorrem:

  • aumento do teor de sólidos solúveis,
  • elevação da acidez titulável,
  • mudança progressiva da coloração da casca,
  • amolecimento da polpa,
  • maior suscetibilidade a danos mecânicos e microbiológicos.

Essas alterações tornam a banana altamente perecível, dificultando o transporte a longas distâncias e aumentando perdas econômicas significativas na pós-colheita. Por esse motivo, o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias capazes de controlar o metabolismo do fruto são estratégicos para o setor agrícola e alimentício.

O papel do etileno no amadurecimento da banana

O etileno é produzido naturalmente pelos frutos climatéricos e atua como um gatilho bioquímico para o amadurecimento. Pequenas variações em sua concentração podem acelerar ou retardar significativamente o metabolismo do fruto.

Diante disso, técnicas que promovam:

  • a redução da produção de etileno,
  • ou sua degradação no ambiente de armazenamento,

são amplamente estudadas como estratégias para prolongar a vida pós-colheita. O ozônio, devido ao seu alto potencial oxidante, apresenta capacidade de reagir com o etileno, reduzindo sua concentração e, consequentemente, desacelerando o amadurecimento.

O que diz a ciência sobre o uso do ozônio em bananas

O estudo conduzido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Este artigo baseia-se no estudo “Ação do ozônio no processo de amadurecimento de bananas”, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), com apoio do CNPq e da FAPEMIG.

Autores do estudo:

  • Vieira, L. S.
  • Queiroz, M. E. L. R.
  • Neves, A. A.
  • Oliveira, A. F.
  • Salomão, L. C. C.
  • Alves, R. R.
  • Heleno, F. F.

O objetivo do trabalho foi avaliar, de forma controlada, o efeito da concentração de ozônio e do tempo de exposição no processo fisiológico de amadurecimento de bananas da cultivar Prata Anã, considerando parâmetros metabólicos e de qualidade.

Metodologia científica aplicada no estudo

Os pesquisadores avaliaram bananas submetidas a diferentes concentrações de ozônio (0,000; 0,200; 0,500; 1,000 e 2,000 mg L⁻¹) e diferentes tempos de ozonização (0, 2, 4 e 6 dias).

Os parâmetros analisados incluíram:

  • produção de etileno,
  • perda de massa fresca,
  • teor de sólidos solúveis,
  • acidez titulável.

A produção de etileno foi mensurada por cromatografia a gás, enquanto os demais parâmetros seguiram metodologias analíticas consolidadas, garantindo confiabilidade estatística e rigor experimental aos resultados.

Principais resultados observados no estudo

Concentração de ozônio: o fator crítico

Um dos achados mais relevantes do estudo foi a demonstração de que a concentração de ozônio é determinante para o sucesso da aplicação.

A concentração de 0,200 mg L⁻¹ apresentou efeitos positivos claros:

  • redução da produção de etileno,
  • desaceleração do metabolismo das bananas,
  • preservação da qualidade dos frutos durante o armazenamento.

Em contrapartida, concentrações mais elevadas (0,500; 1,000 e 2,000 mg L⁻¹) provocaram aumento da produção de etileno, indicando que o excesso de ozônio pode gerar estresse oxidativo, levando o fruto a responder fisiologicamente como se estivesse sob dano.

Esse resultado reforça um princípio técnico fundamental: ozônio não deve ser aplicado de forma empírica ou indiscriminada.

Tempo de exposição: benefícios e efeitos colaterais

Quanto ao tempo de exposição, o estudo demonstrou que a ozonização contínua por 4 e 6 dias, na concentração de 0,200 mg L⁻¹, foi capaz de retardar o pico climatérico de produção de etileno em até 8 dias quando comparada a frutos não ozonizados.

No entanto, tempos prolongados de exposição também resultaram em:

  • maior perda de massa fresca,
  • surgimento de manchas escuras na casca,
  • sintomas progressivos de fitotoxicidade.

Ou seja, embora o amadurecimento tenha sido retardado, a aparência comercial dos frutos foi comprometida, evidenciando que o equilíbrio entre benefício e risco é essencial.

O que o estudo ensina para aplicações comerciais e industriais

Os resultados obtidos pela UFV demonstram que o ozônio pode ser uma ferramenta eficaz no controle do amadurecimento da banana, desde que aplicado dentro de limites técnicos bem definidos.

As principais lições práticas incluem:

  • não existe dose universal de ozônio,
  • concentração e tempo devem ser ajustados ao produto e ao ambiente,
  • o monitoramento contínuo é indispensável,
  • aplicações sem validação podem gerar perdas de qualidade.

Esses pontos reforçam que o ozônio deve ser tratado como tecnologia de processo, e não como solução isolada ou padronizada.

Limites do estudo e responsabilidade técnica na aplicação

É fundamental destacar que o estudo foi conduzido em condições controladas, com variáveis bem definidas. A extrapolação direta para ambientes comerciais exige cautela, testes-piloto e ajustes específicos.

Fatores como:

  • cultivar,
  • temperatura,
  • umidade relativa,
  • ventilação,
  • escala operacional,

podem influenciar significativamente os resultados. Reconhecer esses limites fortalece a aplicação responsável da tecnologia e evita interpretações equivocadas.

Da ciência à prática: o papel da myOZONE

A myOZONE atua como especialista na tradução do conhecimento científico em soluções técnicas seguras e validadas. Estudos acadêmicos, como o conduzido pela UFV, são fundamentais para embasar projetos, definir limites operacionais e orientar decisões responsáveis na aplicação do ozônio.

Na prática, isso envolve:

  • definição criteriosa de parâmetros operacionais,
  • projetos customizados por aplicação,
  • monitoramento contínuo de concentração e segurança,
  • conformidade técnica e regulatória.

O uso do ozônio, quando bem projetado, pode contribuir para a redução de perdas pós-colheita, aumento da vida útil dos frutos e maior eficiência logística.

Créditos científicos e institucionais

Este artigo foi desenvolvido com base no estudo científico:

VIEIRA, L. S.; QUEIROZ, M. E. L. R.; NEVES, A. A.; OLIVEIRA, A. F.; SALOMÃO, L. C. C.; ALVES, R. R.; HELENO, F. F.
Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Ação do ozônio no processo de amadurecimento de bananas
Apoio institucional: CNPq e FAPEMIG
Acesse o estudo completo clicando aqui.

A myOZONE reconhece e valoriza a contribuição da Universidade Federal de Viçosa e de seus pesquisadores para o avanço do conhecimento científico sobre o uso do ozônio na pós-colheita de alimentos.

Consideração final

O ozônio no amadurecimento da banana apresenta potencial técnico comprovado pela ciência, mas sua aplicação exige precisão, controle e responsabilidade. A tecnologia funciona quando respeita limites, considera o contexto operacional e se apoia em evidências científicas sólidas. É nesse equilíbrio entre ciência e aplicação que se constrói uma solução segura, eficiente e sustentável para a cadeia de alimentos.

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